ANTONIO MANUEL: FATOS | até dia 08 de julho

A exposição sintetiza de forma instigante a múltipla produção artística de Antonio Manuel, de 1960 até hoje.

Nascido em Portugal (Avelãs de Caminha, 1947), o artista chega ao Brasil em 1953 e, ao final dos anos 60, torna-se figura significativa no ambiente artístico da cidade do Rio de Janeiro.

São cerca de 70 obras, entre as quais estão uma instalação inédita realizada exclusivamente para ocupar a rotunda do CCBB São Paulo e a construção de uma série de Muros, criada para dialogar com a arquitetura do espaço. Além destes, estão presentes trabalhos fundamentais como uma apresentação inédita do conjunto integral dos Flans (1968-1975), Corpobra (1970) e uma seleção de pinturas realizadas desde o início dos anos 80 até os dias atuais.

Curadoria de Paulo Venancio Filho.

Térreo, 1º, 2º e 3º andares
CCBB – Entrada Franca
Recomendação etária: livre
ccbbsp@bb.com.br

Disponibilizo aqui a matéria de Bernardo Scartezini, sobre o trabalho de Antonio Manuel. Encontrei no site do CCBB e achei importante guardar aqui. Espero que você também goste e visite o site.

ARTE E REALIDADE

O português Antonio Manuel chegou ao Rio de Janeiro ainda criança. Criou-se por lá. Tornou-se um legítimo artista brasileiro nos anos 1960 quando, amigo de Lygia Clark e Hélio Oiticica, ajudou a transformar as artes visuais nacionais. Trabalhou com pintura e adotou a escultura e as instalações como novas dimensões de sua expressão. Trajetória particular que será agora recuperada pelo Centro Cultural Banco do Brasil.

Antonio Manuel: Fatos é a vasta mostra retrospectiva que o CCBB de São Paulo dedica ao artista. Aberta no dia 21 de abril, a exposição é o ápice dos festejos do centro cultural por conta de seus seis anos de atividades na capital paulista. O trabalho seguirá aberto ao público, com entrada franca, até oito de julho. Sempre de terça a domingo.

As setenta obras que formam Fatos ocupam três andares do prédio do CCBB, além do átrio do térreo. A retrospectiva tem curadoria de Paul Venâncio Filho e varre quatro décadas de atividades do artista. Marcos Mantoan, diretor do CCBB paulistano, vê a importância de Fatos como seqüência na política do centro cultural de valorizar artistas ainda em atividades – como aconteceu em retrospectivas de Regina Silveira, Tunga e Arthur Omar, entre outros.

O curador Paulo Venâncio Filho liga Antonio Manuel ao trabalho de artistas seus contemporâneos de anos 1960 como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape. Todos eles buscavam novos suportes para a expressão artística, em um movimento que provocasse o espectador e incorporasse sua participação no sentido das obras. É o caso de várias instalações desses artistas. Como aquelas folclóricas vestimentas de Oiticica, os parangolés. Antonio Manuel tem trabalhos fundamentais desse período, trabalhos que serão expostos em Fatos, como Soy loco por ti America (1969) e Corpobra (1970), que traz boa parte das questões que tangem esse neologismo que dá nome à peça: corpobra, corpo mais obra. O corpo é a obra. Um tipo de pensamento que, mais adiante, mostraria ser o embrião de boa parte de arte brasileira dos anos 1970 e 1980, como, por exemplo, as intervenções urbanas registradas pelos videastas e as vídeo-instalações.

Transformação social

Paulo Venâncio Filho assina um ensaio sobre Antonio Manuel no catálogo de Fatos. No trabalho, ele reafirma a presença do artista na vanguarda da arte brasileira. Assim… “Rompendo como os limites institucionais da arte, postulando uma estratégia de vanguarda ao tomar a ação artística como fator de transformação social – herança, em parte, da tradição construtiva a qual emprestou conteúdos explosivos – Antonio Manuel desenvolve uma produção original, que inclui objetos, performances, manifestações ambientais, filmes e gestos inovadores radicais.”

Antonio Manuel, 60 anos, é nascido na pequena cidade portuguesa de Avelãs de Caminha. Chegou ao Rio de Janeiro em 1953, com apenas seis anos de idade. Estudou, como ouvinte, na Escola de Belas Artes e depois trabalhou no ateliê de Ivan Serpa. E Antonio Manuel aparecia com alarde dentro de um evento armado por Oiticica em 1968, Apocalipopótese, onde ele apresentou a instalação Urnas quentes. Eram caixas de madeiras com imagens e recortes de jornais. A idéia era que o público arrebentasse as caixas com os pés e as mãos. Deu certo.

Antonio Manuel entrou assim nos anos 1970, tempos de regime militar, fazendo arte política. Pintor, escultor, gravador, desenhista, ativista cultural, Antonio Manuel também abraçou o cinema. Trabalhou com curtas-metragens como Loucura e cultura (1973). Seu trabalho, autoral e marginal, chamaria a atenção do cineasta Rogério Sganzerla, que dirigiu Anônimo e incomum (1990), um vídeo sobre as obras de Manuel.

Não que Antonio Manuel tivesse deixado de lado seus primeiros suportes. “A extraordinária pintura que o artista desenvolve a partir dos anos 1980 articula elementos das linguagens geométricas, modulando ritmos complexos e paradoxais de linhas e saturações cromáticas”, descreve Paulo Venâncio Filho em seu ensaio. “A poética construtiva, a contestação política, o corpo como suporte da obra, o imaginário cotidiano da mídia são os dados iniciais que seu trabalho articula e elabora.”

Antonio Manuel ganhou uma retrospectiva de sua obra em Avelãs de Caminho, sua cidade natal, no Museu Serralves. Sua mais recente grande exposição foi realizada no Chipre, em 2005. Uma de suas mais admiradas instalações, Fantasma (1995), faz uma poética homenagem às vítimas diárias da violência urbana na cidade do Rio de Janeiro. Apresentada na Bienal de São Paulo em 1998, ela seguiu para o Jeu de Paume, em Paris, em 1999. Antonio Manuel, hoje, é artista reconhecido internacionalmente. E em momento nenhum se afastou da dura realidade do país que escolheu para viver – entre baionetas de militares e fuzis de traficantes.

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