IOLE DE FREITAS | 26 de Outubro a 08 de Dezembro

A instalação de Iole de Freitas, a principal representante do Brasil
na XII Documenta de Kassel (Alemanha), teve grande repercussão no mundo inteiro. Seu projeto foi considerado um dos mais ambiciosos da Documenta, e o local de exposição, o Edifício Friedericianum, de 1779, o mais nobre, foi escolhido pela artista.

No dia 26 de outubro, sexta-feira, o Gabinete de Arte Raquel Arnaud estará inaugurando uma individual de Iole de Freitas, com cinco obras no total. Serão dois projetos concebidos especialmente para a exposição, em policarbonato transparente, cabos e rosqueados de aço, inéditas, que dialogarão com o espaço arquitetônico da galeria, além de três obras de pequeno formato em aço e alpaca, também inéditas.

Os trabalhos são sistemas de relações espaciais, desenvolvidos após a elaboração do projeto da Documenta. Tratam do limite de visibilidade e pressupõe o deslocamento do espectador dentro das obras, levando-o a rever as próprias percepções do deslocamento de seu corpo no espaço.

“Assim como a linha, o olhar cruza a transparência
e desestabiliza o andar
desmonta a percepção primeira do espaço
desloca a profundidade que – rasa – ilude e planifica.”
Iole de Freitas


Cartas dinâmicas / Dinamic Letters – Iole de Freitas
300 x 650 x 400 cm / policarbonato, cabo de aço e cimento /2007
Foto: Sergio Araujo


Sopro – Iole de Freitas
Aço inox e alpaca / Stainless steel and alpaca
70 x 60 x 25 cm
1997 / 2007


Sem título – Iole de Freitas
Aço inox / Stainless steel
70 x 60 x 25 cm
1989 / 2007

Gabinete de Arte Raquel Arnaud
Rua Artur Azevedo, 401. 05404-010. São Paulo, SP.
Fone: 11 3083 6322
Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 12h às 16h.

Por Márcia Marques, do Canal Aberto.

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2 Comments

  1. Querida Iole,

    Este texto da Helena Petrovna Blavatsky – tirado da Doutrina Secreta, sua obra principal, exprime muito bem, a sua sensibilidade, ao externar o seu mundo interior. Tudo isso, não deixa de sentir, ver e expressar Deus. Toda vez que vejo suas obras, me arripio.

    Muita Paz!
    Grande abraço,
    Gabriel (Brasília).

    “Tudo no universo origina-se de uma fonte ilimitada, eterna,incognoscível. Depois de um período de existência manifestada, o universo retorna a essa fonte. O universo em si é um todo orgânico, vivo, inteligente, consciente e divino. […] As leis da natureza são o resultado de forças inteligentes. Umalei de ciclos fornece uma estrutura fundamental em todos os níveis. Dois exemplos são: nosso padrão de reencarnação e ascontínuas ‘vidas’ do universo quando ele aparece e, então, retorna à sua origem. A analogia e a correspondência fornecemuma estrutura fundamental ao universo. Esta é uma afirmação ampla do axioma: ‘Assim em cima, como embaixo’. A evolução se aplica, em grande escala, a toda a vida. A alma é envolvidaneste mundo de matéria. Ela tem experiências e aprende. A alma, então, empreende seu caminho de volta, numa longaperegrinação à sua fonte primal. Isto também segue um padrãocíclico. Esta evolução ganha experiência, autoconsciência euma perfeição sempre crescente. A evolução ocorre nos planos físico, mental e espiritual. […] Os pensamentos são objetos tangíveis nos planos mais altos. Cada pensamento e açãoexerce um efeito sobre nós e sobre nosso entorno e tem conseqüência cármica. Os três planos mais altos dessaconstituição formam o ‘Eu Superior’ e é este que reencarna de vida em vida e acumula experiência, lições e virtudes. Os planos mais baixos formam o ‘eu inferior’ e são o veículo usado pelo eu superior enquanto este vive neste nível ativo e de testes da vida encarnada. No momento da morte, temos umarevisão da nossa vida passada – enquanto nos despimos desta moldura física. Após um curto período, que varia muito entre os indivíduos, jogamos fora os outros aspectos inferiores de nossaconstituição e o eu reencarnante começa um longo período dedescanso merecido, cheio de misericórdia, antes do próximonascimento. Freqüentemente, durante esta vida, nossa natureza espiritual é obscurecida por nossa vida diáriaautocentrada, quando alimentamos nossas necessidades e desejos imediatos. Mas o eu espiritual está sempre lá para nos guiar se o buscarmos com nosso forte e honesto desejo. Podemos lutar para alcançar nosso eu superior: ouvindo a nossa, ainda pequena, voz da consciência, percebendo os sonhos do eu superior, desenvolvendo nossa intuição, meditando, estudando os princípios da ‘Religião Sabedoria’, alinhando-nos com a Natureza, engajando-nos em ações para o bem maior, estudando cuidadosamente os eventos de nossa vida diária.”

    Um artista abstrato que me fascina é o WASSILY KANDINSKY (1866-1944)
    Ele expressa a arte com outro olhar.

    Teosofia e Arte
    A Rota Abstrata para o espírito

    A Rota Abstrata para o espírito
    Vista como resposta ao crescente materialismo da ciência no fim do século 19 e início do 20, a teosofia deixou marcas importantes em vários campos do saber humano. Entre eles está a arte abstrata, cujos pioneiros, como Kandinsky e Mondrian, tiveram contato intenso com as idéias de Helena Blavatsky.

    Por Júlio César Borges

    Mondrian, Planos de Cor em Oval/Museu de Arte Moderna de Nova York

    Nascida em 1875, com a fundação da Sociedade Teosófica em Nova York, a teosofia foi uma prodigiosa fonte difusora de teorias ocultistas do final do século 19 e início do século passado. Mesmo apresentando um arcabouço de idéias por vezes confuso, a russa Helena Blavatsky e seus seguidores e sucessores, como Annie Besant e Charles Leadbeater, representaram inesperadamente uma forte reação ao crescente materialismo da ciência, sacudida na época pelo darwinismo e sua “ameaçadora” perspectiva de que a humanidade descendia de macacos.

    Flertando com as religiões orientais e endossando a natureza espiritual do homem, a teosofia atraiu a atenção de muita gente importante da época, proveniente dos mais variados meios profissionais. Entre eles, havia militares, advogados, jornalistas, educadores e até mesmo cientistas. Mas, provavelmente, a influência mais perene da nova trilha de conhecimento se deu na arte. Na caminhada da pintura para a representação de formas abstratas, por exemplo, o sistema de pensamento elaborado por Helena Blavatsky estava relacionado a pelo menos quatro artistas famosos da primeira metade do século 20.

    Nascido em 1872, o holandês Piet Mondrian foi o pioneiro da arte abstrata mais envolvido com a teosofia. Ele começou a estudar as obras de Blavatsky no início da década de 1900, e em 1909 entrou para a Sociedade Teosófica. Mondrian também comprou um livro de Rudolf Steiner (teosofista que viria a fundar a antroposofia em 1913), e guardou-o até a morte, repleto de anotações.

    A influência teosófica já era visível em telas de 1908, como Devoção, na qual uma jovem medita sobre uma flor, ou O Bosque Perto de Oele, em que a noção teosófica de dualidade é manifestada pela contraposição entre símbolos masculinos (árvores) e femininos (planos horizontais). Na ainda figurativa O Crisântemo Agonizante, Mondrian tentava mostrar a aura desprendendo-se da planta no momento de sua morte.

    Mondrian

    A Evolução, de Mondrian, representa a transformação humana a partir do simbolismo teosófico.
    O artista já recorria a formas geométricas quando se mudou para Paris em 1910, desejoso de encontrar uma forma visual para expressar os conceitos transcendentes com que entrara em contato por meio da teosofia. São dessa época as telas mais impregnadas do simbolismo teosófico, como o belo tríptico Evolução (1910-11), que representa a evolução humana a partir do corpo terreno (esquerda), passando pelo corpo astral (direita) até chegar à visão divina (centro). Flores, triângulos e círculos têm significados ocultos, e a estrela composta por triângulos unidos, visível no painel da direita, é um símbolo presente no centro do emblema da Sociedade Teosófica.

    Em 1914, Mondrian voltou para Amsterdã, onde três anos mais tarde criaria, com seu compatriota, o pintor Theo van Doesburg, a revista De Stijl, publicação que serviria para a veiculação de sua teoria sobre as novas formas artísticas por ele denominadas neoplasticismo. Nas telas dessa fase notava-se uma passagem cada vez mais intensa para as formas geométricas, mas o conhecedor da teosofia poderia reconhecer imagens referentes a ela em Planos de Cor em Oval, nos quais linhas verticais, masculinas, harmonizam-se com outras horizontais, femininas, dentro de um ovo – símbolo não só na teosofia, mas também em outras religiões, da criação e da unidade. De acordo com Mondrian, os seres humanos podem ambicionar uma unidade que equilibre forças opostas como masculino e feminino, imobilidade e dinamismo, espírito e matéria.

    Mondrian

    Composição em Diamante com Linhas Cinzentas: o cruzamento de linhas cria triângulos e cruzes.
    Composição em Diamante com Linhas Cinzentas (1918) traz um Mondrian bem abstrato, num trabalho em que o cruzamento de linhas cria triângulos e cruzes. Para os teosofistas, os triângulos – que ocupam lugar de destaque no selo da Sociedade Teosófica – simbolizam não apenas os princí- pios da unidade desdobrada no espírito e na matéria, mas também as trindades encontradas nas principais religiões da Terra e várias outras concepções ternárias. Os triângulos são eqüiláteros porque, em todas as tríades representadas, ninguém é maior ou menor do que o outro.

    Inquieto, Mondrian mudou-se ainda outras três vezes – para Paris, Londres e finalmente Nova York, onde morreu em 1944. Os especialistas consideram que as obras de Mondrian nos Estados Unidos já apresentavam um relaxamento em relação aos seus princípios pictóricos anteriores, em troca da valorização de pequenas formas quadrangulares. Sua última obra completa e uma das mais famosas, Broadway Boogie Woogie (1940), busca flagrar os ritmos da frenética Manhattan recorrendo mais uma vez a traços verticais e horizontais, expressos nas cores primárias (amarelo, vermelho e azul) e no preto. Essa expressão cabal do neoplasticismo, porém, já parecia aos teosofistas muito distante das suas conceituações.

    Kandinsky

    http://www.art.com/asp/display_artist-asp/_/CRID–26/PG–3/posters.htm?TNID=2&ui=7FB585595D5449BB86FF53E6832731F4

    A Dama em Moscou: influência das idéias sobre formas-pensamento.
    Outro destaque na pintura da primeira metade do século passado a ter seu nome associado à teosofia foi o russo Wassily Kandinsky. Nascido em Moscou em 1866, ele vinha de família abastada e desfrutou de educação esmerada, à qual não faltaram várias viagens. Kandinsky manifestou cedo pendores para a pintura e a música, mas encaminhou-se para uma carreira acadêmica e legal até 1895, quando, perto dos 30 anos de idade, largou a profissão e viajou para Munique, onde entrou em contato com o impressionismo e a art nouveau.

    No início do século passado, o artista mudou-se para Paris. Na capital francesa, envolveu-se com a literatura teosófica, consumindo avidamente obras de Blavatsky, Steiner, Charles Leadbeater e Annie Besant. Essa influência no abstracionismo adotado por Kandinsky está exposta no livro Do Espiritual na Arte, de 1910. Entre as idéias apresentadas sobressai a da obra de arte como resultante da moldagem das vibrações do pensamento do artista, as quais são transmitidas pela obra para o espectador. Professor da escola alemã Bauhaus entre 1922 e 1933, Kandinsky morreu em 1944.

    Kandinsky

    Mancha Negra I: tela para iniciados em mistérios espirituais.
    As representações de formas-pensamento publicadas por Besant e Leadbeater encantaram o artista russo e seus ecos podem ser encontrados em numerosas telas. Dois exemplos disso são A Dama em Moscou, de 1912, e a imediatamente posterior Mancha Negra I. A primeira tela mescla uma cena no plano concreto – na qual uma mulher aparece ladeada por uma mesinha sobre a qual está deitado um cão – com um painel composto por pensamentos ou sentimentos, da mulher ou de outra pessoa. A figura solar no alto parece ameaçada pela mancha escura, que, por seu lado, é contrabalançada pelo círculo cor-de-rosa – um símbolo de amor e boa vontade, na codificação estabelecida por Leadbeater.

    Mancha Negra I seria, segundo alguns especialistas, uma versão de A Dama em Moscou para iniciados nos mistérios espirituais. As referências à mulher e à carruagem que passa por trás dela na primeira tela são muito mais abstratas; por outro lado, a mancha escura reaparece no mesmo canto direito superior, encimado por outra fonte de luz.

    Museu Stedelijk, Amsterdã

    Pintura suprematista de Malevitch: reflexo dos escritos de Ouspensky.
    Outra obra de Kandinsky em que é visível a influência teosófica é Tensão em Vermelho, de 1926. Nela o artista abre espaço para o conceito ocultista de sinestesia, segundo o qual a superposição de sentidos permite ao espectador “tatear” sons ou “saborear” cores. O vermelho predominante na tela seria, assim, uma forma de transmitir a sensação física de tensão ao observador.

    Menos famoso que seu conterrâneo Kandinsky, Kazimir Malevitch, nascido em 1878, também foi um dos expoentes do abstracionismo na pintura. A fonte dos conhecimentos ocultos de Malevitch não era tanto a teosofia de Blavatsky e Annie Besant; o pintor interessava-se mais pela ioga e pelos escritos de P. D. Ouspensky, famoso como discípulo do célebre ocultista Georges I. Gurdjieff, mas que também nutrira antes interesse pela teosofia.

    Seduzido pela idéia de que a humanidade chegaria um dia a entender-se por uma linguagem única, Malevitch tentou transpor para as telas essa evolução, representando-a como o movimento de figuras bidimensionais ou tridimensionais rumo a uma quarta dimensão mística. À escola que desenvolveu, ele deu o nome de suprematismo – um veículo para o ser humano alcançar a consciência cósmica. Várias de suas telas, elaboradas após 1915, exemplificam essa tentativa. Malevitch morreu em 1935, época em que o empobrecedor realismo socialista já dificultava propostas artísticas como a dele.

    Nascido na Tchecoslováquia em 1871, Frank Kupka recebeu sua primeira influência ocultista de um seleiro do qual era aprendiz. Rumando para Viena, ele matriculou-se numa escola de arte e pagou seu primeiro semestre de estudos com o dinheiro que arrecadara como médium. O ambiente na capital austríaca favoreceu sua avidez por idéias espiritualistas, que foram lapidadas por um colega, Karl Diefenbach. A fim de desenvolver os poderes espirituais de Kupka, Diefenbach recomendou-lhe que praticasse, despido, exercícios diários ao ar livre, adotasse uma dieta vegetariana, meditasse e pintasse com acompanhamento musical. Dessas sugestões, a nudez era sem dúvida a mais complicada, e certa vez levou Kupka à prisão em Munique, por atentado ao pudor. Mas isso não o impediu de seguir as recomendações até sua morte, em 1957.

    Kupka, O Começo da Vida

    Frank Kupka usou o lótus como representação do despertar espiritual.
    A pintura de Kupka progrediu para o abstracionismo a partir do fim da primeira década do século 20, mas nunca deixou de apresentar um forte conteúdo ocultista. Ainda de sua fase figurativa, O Caminho do Silêncio (cerca de 1900), por exemplo, é marcado por duas fileiras de esfinges – símbolo teosófico tanto da matéria inferior quanto do desejo de um mundo espiritual superior, que as estátuas contemplam. O Começo da Vida (1909) recorre ao lótus como representação do despertar espiritual ou nascimento cósmico – uma idéia em consonância com o que pensavam os antigos egípcios, hindus e outros povos do Oriente. Com suas raízes na água e flor vicejando ao sol, o lótus simboliza ainda a dualidade da água e do fogo.

    Posteriormente, o abstracionismo se manifestaria de forma mais progressiva na pintura do tcheco, incentivando, por exemplo, o recurso ao dualismo vertical-horizontal. Ele está presente em Teclas de Piano – Lago (1909), no qual as teclas tocadas, representadas na vertical, parecem impulsionar o observador/ouvinte dessa melodia à ascensão espiritual, das águas escuras ao brilho do céu. Outra idéia recorrente é o ovo primordial, tema central de Oval Animado (Nascimento), de 1912. Foi dessa época também a tentativa de Kupka de criar uma forma de pintar que, tal como a busca de Kandinsky pela sinestesia nas telas, trouxesse ao observador sensações além da simples visão. Denominada orfismo pelo tcheco, ela tencionava recriar as emoções produzidas pelos músicos com o som – algo “entre a visão e a audição”. Talvez o objetivo não tenha sido atingido em sua plenitude, mas não há dúvidas do sopro libertador que Kupka e seus colegas pioneiros do abstracionismo trouxeram para a arte do século 20.

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