ARTE NO MARIA ANTONIA

Uma mostra coletiva e quatro individuais com entrada franca no Maria Antonia. No dia 17 de Novembro, abertura das exposições, será lançada a Revista Ars n° 16, do Depto. de Artes Plásticas da ECA-USP, com textos de Andrea Tavares, Christian Borges e Samuel de Jésus, Gilberto Prado, Julian Stallabrass, Lúcio Costa, Marco Giannotti, Paulo Bernardino e Pedro Arantes, e ensaio gráfico de Márcia Cymbalista.

Exigências do presente

Exposição coletiva de Carmela Gross Jac LeirnerJorge Macchi e Leda Catunda com curadoria de José Augusto Ribeiro, percorre as três últimas décadas da produção desses artistas. Agrupa um conjunto de trabalhos para uma apresentação sintética, pontual mas complexa, pelas possibilidades de inter-relação de momentos diversos dessas produções, algumas inéditas em São Paulo, ou pouco mostradas em contextos públicos, e outras bastante representativas do curso de cada obra. As articulações sugeridas entre pensamentos, materiais e operações de Carmela, Jac, Jorge e Leda também não pretendem a construção de um discurso curatorial que se sobreponha à singularidade dos trabalhos. O que os trabalhos da exposição apresentam, por convergências na repetição e seriação de formas, na acumulação e organização de objetos recolhidos da vida prática, na reabilitação de padrões e clichês a um estado de potência ou no rigor intelectual dos procedimentos, talvez contribua para mensurar o tamanho das exigências do presente.

Cassio Michalany — Modulações

Três séries recentes de pinturas em pequeno e médio formato. A primeira série é composta por três pares de pinturas brancas, com articulações quase imperceptíveis. Na série maior, 24 peças retangulares agrupadas de quatro em quatro formam seis conjuntos de placas brancas com varetas negras, azuis, cinzas e marrons, em ordenações de cores e posições que desafiam a percepção visual mais imediata. Finalmente, a terceira série traz pinturas colocadas duas a duas, com discretas linhas laterais em tons de cores vivas. O trabalho de Michalany é essencialmente pragmático, com um mecanismo recorrente de alterações sutis, que parte do manuseio constante dos materiais pelo artista na construção de um sentido em sucessivas etapas: a definição de elementos, a construção das obras, a composição de séries, a montagem delas no espaço. Assim, em Modulações, a estrutura das pinturas compõe uma gramática visual exigente, que demanda do espectador a atenção continuada para diferenças cromáticas, posições recorrentes, combinações e permutações.

Marcone Moreira — Banzeiro

Trabalho resultante do Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça / FUNARTE (2009), é composto por vinte cavernas, peças curvas de madeira que dão forma ao casco das embarcações. Na região ribeirinha de Marabá, cidade entrecruzada por dois grandes rios, o Tocantins e o Itacaiúnas, banzeiro significa o constante movimento das águas provocado tanto pela navegação como pela agitação natural dos rios. As peças, que foram confeccionadas em um dos estaleiros às margens do rio Tocantins, onde se concentram várias oficinas de construção e reforma de embarcações, são distribuídas pelo piso do espaço expositivo em várias direções, remetendo metaforicamente ao movimento revolto das águas, situação recorrente nos rios amazônicos. Esse procedimento, comum a outros trabalhos seus, mescla duas vertentes centrais da tradição plástica brasileira: a atenção às relações formais, caras ao pensamento construtivo, e o saber artesanal, constatado no dia-a-dia da produção de objetos utilitários nos quatro cantos do país.

Lucia Mindlin Loeb — Retorno

Instalação de um livro de um metro de comprimento que traz reproduzidas em suas 13.500 páginas notas de um cruzeiro, é disposto em uma mesa ao centro da sala. Logo a sua frente, cobrindo uma das paredes da sala, uma foto do mar, impressa em tecido translúcido, cria o cenário no qual, com a sobreposição do livro-objeto contra o pano de fundo, o livro-Cruzeiro navega. A polissemia do termo cruzeiro, que denomina a velha moeda, desgastada pelo seu percurso, ao mesmo tempo que diz respeito a um modo de deslocamento, entre outras acepções, remete à circulação (do sistema financeiro, dos sentidos simbólicos, da narrativa histórica). O livro que se torna obra de arte quer ser permanência, mas, na ambiguidade do nome, torna a ser fluxo, travessia, percurso.

Camila Sposati — Gabião

Com curadoria de Rafael Vogt Maia Rosa, é composta por três obras. Intitulado Yellow Vanishing Points (5 min, 2010), o filme documenta uma ação executada em Inverness-shire, Escócia, e faz parte de Smoke, trabalho significativo de uma parte fundamental da poética da artista – transformações de materiais e pesquisa com cores –, que vem sendo desenvolvido desde 2002. O filme se relaciona, pelo seu aspecto topográfico, ao trabalho tridimensional presente na exposição: Troca de terra (2011), escultura de chão com a qual o espectador estabelece um contato direto e próximo, operando com desdobramentos de outras séries de sua produção, como Crescimento de cristais (desde 2007) e Mapas (desde 2010). Sua matéria, entretanto, traz uma preocupação com uma problemática local: os materiais utilizados, embora em acordo com estruturas abstratas desenvolvidas pela artista em outros trabalhos, provêm de pesquisa com tipos de terras e argilas utilizadas por artesões de Cunha, cidade localizada na divisa de São Paulo e Rio de Janeiro. A terceira obra, Colisão (2011), é um desenho “bilateral” (termo introduzido por Hélio Oiticica), feito com folhas de papel e guache, que dialoga não só com as demais peças da exposição, mas também com aspectos do neoconcretismo brasileiro em seus esforços por ampliar a questão da bidimensionalidade em nosso contexto. O título da mostra diz respeito ao dispositivo utilizado na construção civil para conter erosão e promover canalização.

O Quê?

Exposições:

Quando?


Abertura: 17 de novembro 2011, quinta-feira, 20h.
Visitação: até 4 de março de 2012.

Terça a sexta, 10 às 21h.

Sábados, domingos e feriados, 10 às 18h

Quanto?

Grátis.

Onde?

Centro Universitário Maria Antonia
Endereço: Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque -São Paulo – SP (mapa)
Telefone: (11) 3123-5201
Visitas monitoradas (agendamento): (11) 3123-5210
Twitter: @mariantonia_usp 

Por Darlene Carvalho

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