Posts de fabianopereira

Fabiano Pereira • Designer de Interfaces; • Web Developer; • Colunista do iMasters; • Colunista do design.com.br; • Articulista do Web Insider; • Empreendedor; • Empresário; • Professor de Design Web; • Professor de Web Developer; • Músico (guitarrista, vocalista, compositor); • Curioso de Plantão; http://www.fabianoweb.net/blog/

“AS CIDADES E SUAS MARGENS” NO ITAÚ CULTURAL

Seminário Internacional As Cidades e Suas Margens e mini-mostra Margem Arte Pública marcam debate sobre arte e urbanidade no país.

O que artistas, arquitetos, urbanistas, antropólogos, ativistas e historiadores têm a dizer sobre arte e os espaços da cidade?

O projeto Margem Arte Pública, com curadoria do arquiteto e urbanista Guilherme Wisnik, e o Seminário Internacional As Cidades e Suas Margens coordenado pela arquiteta e urbanista Lígia Nobre, discute a arte que ocupa espaços públicos e urbanos e analisam a formação das cidades brasileiras por meio de seus rios e as transformações recentes em suas orlas, articuladas com a falta de uma tradição sólida de arte pública no país.

Quando?

16 a 19 de setembro 2009 ( quarta a sexta-feira)

Onde?

ITAÚ CULTURAL
Av. Paulista, 149 – São Paulo – SP
(mapa)

Quanto?

Entrada franca.
Não há necessidade de inscrição antecipada (247 lugares)

Participantes
Osvaldo Sanchez (México), curador de algumas edições do projeto de arte pública InSite (San Diego / Tijuana); o doutor em História pela Universidade de Buenos Aires Adrán Gorelik (Argentina); o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, o filósofo Nelson Brissac Peixoto, criador do Arte/Cidade, e os artistas Nuno Ramos, Hector Zamora, Ana Maria Tavares, Gisella Hiche entre outros artistas e especiliastas em arte e urbanismo.

Confira no site a programação com sinopses de cada mesa de debate e mais informações sobre o evento.
Os debates serão transmitidos ao vivo pela internet.

Por Fabiano Pereira

1° REGGAE FEST UNDERGROUND

Você, que curte um bom reggae e quer fugir das obviedades do estilo, não pode deixar de conferir esta grande festa que agradará quem curte reggae e, ao mesmo tempo, adora novidades e não deixa de acompanhar o underground.

flyerConfira a ficha completa:

Evento: 1° Reggae Fest Underground;
Data: 07/12/08 – Domingo;
Horário: 15:00h (início);
Quanto: R$3,00;
Contatos: 11 9317 9515
Local: Av. José Antonio de Almeida Amazonas, 596
Vila Guiomar – Santo André – SP

Atrações

O evento contará com as bandas Visão Livre, Mãna Maná e Sadamácula. Além disso, muita discotecagem roots, dub, ragga e dance hall.

O evento ocorrerá no Central Rock Bar.

Não perca, rasta man!

Por Fabiano Pereira

INTERPOL NO BRASIL: A VOLTA DO PÓS-PUNK.

Se você está na casa dos 30, como eu, fatalmente deve ter embalado sua adolescência/juventude com sons de bandas pós-punk como Joy Division, Bauhaus, The Sisters of a Mercy… Sem esquecer, é claro, de toda a influência que este estilo teve na primeira geração do rock brasileiro dos anos 80. Com certeza, muitos discos das bandas citadas acima adormecem em prateleiras de muitos astros do rock nacional. Legião Urbana que o diga.

Para nossa alegria (sublime contradição: como músicas tão melancólicas podem provocar tal sentimento?), há um revival deste tipo de som, representado na norte-americana Interpol. Lançando discos desde 2002, numa trajetória ascendente, começando em selos independentes (Matador Records) até chegar no mainstream (Capitol/EMI), a banda, com seu som triste e depressivo, é uma das mais celebradas dentro do tal indie-rock, e está sendo muito bem recebida em vários países do mundo.

Alegre-se (contradição, parte II): eles estarão se apresentando no Brasil, no Via Funchal, no dia 11 de março de 2008.
Os ingressos vão de R$100,00 (pista) até R$160,00 (camarote).

Saiba mais sobre o show aqui.

WEB 2.0, ANDREW KEEN E A DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Lembro-me de ter lido a entrevista de Andrew Keen numa revista semanal brasileira. Suas provocações e teorias, em princípio, eram de alguém que tenta defender uma tese contrária referente a algo considerado “standard” para todos, ganhando, assim, algumas migalhas de fama e o prazer de não ser parte da maioria.

A tese defendida por Andrew Keen, diz respeito ao conceito colaborativo da web 2.0, que permite a participação efetiva de todos, colaborando mutuamente. Na concepção de Andrew Keen, este aspecto nos levará ao fim da cultura como conhecemos, trazendo à tona informações ruins de pessoas mal preparadas para escrever e refletir sobre os temas atuais.

Andrew Keen, ao que parece, defende a idéia de que precisamos de pessoas preparadas para expressarem nossas opiniões, anseios, necessidades. Segundo ele, não temos preparo intelectual suficiente para nos expressarmos, somos meramente sujeitos sem conteúdo, sem ter o que dizer, passivamente devemos esperar que os jornalistas altamente especializados, bem como os experts nas mais diversas áreas do conhecimento, nos digam o que fazer, pensar, sentir e como agir.

Isso me fez lembrar daquele grupo de cientistas que, recentemente, anunciou que o aquecimento global é um grande exagero, que não existe. Pensei na imagem de Bush radiante, era, enfim, um grande trunfo contra aquela “Verdade Inconveniente“. Imaginei, também, a mídia tradicional vibrando de emoção com o livro “The Cult of the Amateur“, enfim os blogs tomariam um soco no estômago!

A (r)evolução é urgente, necessária e está em pleno curso. Tentar freá-la é impossível, os modelos tradicionais de produção e disseminação de informação e cultura caíram por terra, o conteúdo colaborativo é um fato, necessita de ajustes e melhorias, porém sua solidificação é inevitável, a idéia do “povo falando por si” é forte demais para ser ignorada.

Houve um tempo em que o povo realmente precisava de pessoas intelectualmente preparadas para protestar, mostrar sua realidade. Os pequenos-burgueses, com seus violões, iam à favela, ao morro, chegavam na periferia e, arrebatados de uma grande dó, cantavam essa realidade em suas bossas, em seus sambas sofisticados, salvando (ou tentando salvar) o povo da miséria, da falta de expectativas.
Depois de algum tempo, o povo descobriu que poderia se manifestar por si próprio, seja por meio dos sambas populares, dos acordes furiosos do punk rock ou da batida forte do rap. Descobriu que era o mais adequado para expressar suas opiniões sobre situações reais, já que vivenciava aquilo tudo no seu dia-a-dia.

Traçando um paralelo, acredito que a web 2.0 traz a mesma possibilidade para vários e distintos públicos, seja qual for a área de conhecimento. Você pode criar um blog sobre um tema específico, sobre uma visão de vida, sobre opiniões e posicionamentos. Não precisa esperar que algum jornal te descubra, que algum programa te entreviste, ou que a tv te apresente como o mais novo talento.

Como em tudo na vida, é necessário separar o joio do trigo, com certeza nem tudo o que está em blogs e gerenciadores de notícias deve ser levado em consideração, sempre haverá a real necessidade de se comparar dois pontos de vista diferentes, o “mainstream” (grande mídia) e o “underground” (mídia independente, blogosfera), utilizando o ceticismo saudável, na busca pela informação real ou a opinião mais relevante.

MOSTRA DE CINEMA INTERNACIONAL EM SÃO BERNARDO DO CAMPO

Por Fabiano Pereira

A mostra, já tradicional na cidade, traz diretores consagrados em filmes premiados internacionalmente, trazendo uma proposta mais cult, o que acaba atraindo uma legião de pessoas de perfil alternativo, independente, anti-mainstream.

Considerando a falta de opções culturais interessantes na cidade, é bastante interessante e enriquecedor que a Mostra de Cinema viabilize uma proposta de acesso ao cinema de qualidade, trazendo novas visões cinematográficas do mundo e da vida.

O mais importante é trazer ao público em geral e por um custo muito acessível (ingressos a R$ 3,00; R$ 1,50 para estudantes com carteirinha e gratuito para maiores de 60 anos), uma série de importantes e premiadas atrações, que devido ao perfil ou proposta, não passaram por salas comerciais da região, ou passaram muito rapidamente.

Os filmes serão exibidos no Teatro Cacilda Becker (Praça Samuel Sabatini, 50 – Centro, SBC – SP) de 17 de janeiro a 24 de fevereiro. O Teatro está localizado no Paço Municipal da cidade, o acesso é bastante tranquilo, inclusive com estacionamento no local.
Ligue no teatro (tel.: 4348-1081) e confirme os horários, vagas e estacionamento.

Conheça a programação oficial da mostra:

2046 – OS SEGREDOS DO AMOR (China / Hong Kong / França / Alemanha – 2004 – 127 min)
17/1(quinta-feira), às 20h – 19/1(sábado), às 20h e 20/1(domingo), às 16h
Direção: Won Kar Wai.
Elenco: Tony Leung Chiu Wai, Gong Li, Kimura Takuya, Wong Faye, Maggie Cheung, Chang Chen.
Recomendação Etária: 14 anos

MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS (França / Itália -2006 – 120 minutos)
18/1(sexta-feira), às 20h – 19/1(sábado), às 16h e 20/1(domingo), às 19h
Direção: Alain Resnais.
Elenco: Sábadoine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi, Laura Morante.
Recomendação Etária: 14 anos

EXUBERANTE DESERTO (Israel / Japão / Alemanha – 2006 -90 min)
24/1(quinta-feira), às 20h –26/1(sábado), às 20h – 27/1(domingo), às 16h
Diretor: Dror Shaul.
Elenco: Tomer Steinhof, Ronit Yudkevitz, Shai Avivi, Pini Tavger, Gal Zaid, Henri Garcin.
Recomendação Etária: 14 anos

O TIGRE E A NEVE (Itália -2005 -114 min)
25/1(sexta-feira), às 20h – 26/1(sábado), às 16h – 27/1(domingo), às 19h
Direção: Roberto Benigni.
Elenco: Roberto Benigni, Jean Reno, Nicoletta Braschi, Emilia Fox, Giuseppe Battiston, Lucia Poli, Chiara Pirri.
Recomendação Etária: 12 anos

EM SEGREDO (Croácia / Áustria / Bósnia-Herzegovina / Alemanha – 2006 – 90 min)
31/1(quinta-feira), às 20h – 2/2(sábado), às 20h – 3/2(domingo), às 16h
Direção: Jasmila Zbanic
Elenco:Mirjana Karanovic, Luna Mijovic, Leon Lucev, Kenan Catic, Jasna Beri, Dejan Acimovic, Bogdan Diklic.
Recomendação Etária: 14 anos

O EDIFÍCIO YACOUBIAN (Egito – 2006 – 161 min)

1/2(sexta-feira), às 20h – 2/2(sábado), às 16h – 3/2(domingo), às 19h
Direção: Marwan Hamed
Elenco: Adel Imam, Nour El-Sherif, Youssra, Essad Youniss, Ahmed Bedir.
Recomendação Etária: 18 anos

INFÂNCIA ROUBADA (África do Sul / Inglaterra – 2005 – 94 min)
7/2(quinta-feira), às 20h – 9/2(sábado), às 20h – 10/2(domingo), às 16h
Direção: Gavin Hood
Elenco: Presley Chweneyagae, Terry Pheto, Kenneth Nkosi, Mothusi Magano, Zola.
Recomendação Etária: 14 anos

PIAF – UM HINO AO AMOR (França / República Tcheca / Inglaterra- 2007 -140 min)

8/2(sexta-feira), às 20h – 9/2(sábado), às 16h – 10/2(domingo), às 19h
Direção: Olivier Dahan
Elenco:Marion Cotillard, Gérard Depardieu, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emmanuelle Seigner,Jean-Paul Rouve.
Recomendação Etária: 14 anos

ATRAVESSANDO A PONTE – O SOM DE ISTAMBUL (Alemanha / Turquia – 2005 – 90 min)

14/2(quinta-feira), às 20h – 16/2(sábado), às 20h e 17/2(domingo), às 16h
Direção: Fatih Akin
Elenco: Alexander Hacke, Baba Zula, Orient Expressions, Duman, Replikas, Erkin Koray, Ceza.
Recomendação Etária: 12 anos

AMANTES CONSTANTES (França – 2005 – 178 min)
15/2(sexta-feira), às 20h – 16/2(sábado), às 16h e 17/2(domingo), às 19h
Diretor: Philippe Garrel
Elenco: Louis Garrel, Clotilde Hesme, Julien Lucas, Eric Rulliat, Nicolas Bridet, Mathieu Genet, Raïssa Mariotti.
Recomendação Etária: 16 anos

AS LEIS DE FAMÍLIA (Argentina / Itália / Espanha / França – 2006 -102 min)
21/2(quinta-feira), às 20h – 23/2(sábado), às 20h e 24/2(domingo), às 16h
Direção: Daniel Burman
Elenco: Daniel Hendler, Arturo Goetz, Eloy Burman, Julieta Díaz, Adriana Aizemberg, Jean Pierre Reguerraz.
Recomendação Etária: 12 anos

ALGO COMO A FELICIDADE (República Tcheca, Alemanha – 2005 – 100 min)

22/2(sexta-feira), às 20h – 23/2(sábado), às 16h e 24/2(domingo), às 19h
Direção: Bohdan Sláma
Elenco: Pavel Liska, Tatiana Vilhelmová, Anna Geislerová, Marek Daniel, Bolek Polívka, Simona Stasová, Martin Huba, Zuzana Kronerová, Iva Janzurová, Marie Ludvíková, Zdenek Rauser, Milos Cernousek, David Dolnik
Recomendação Etária: 12 anos

A TV Digital e o Mito da Caverna

Artigo escrito por: Fabiano Pereira

O mito

Platão, esperto e sábio como poucos, criou uma bela alegoria sobre visões limitadas, fuga intencional (ou não) da realidade imediata e como algumas pessoas podem colaborar para que o bem comum ganhe. Ou seja: a pessoa de visão, que tem uma percepção diferente do mundo, que não tem medo (ou controla o medo de forma eficaz), pode fazer a diferença em compartilhar com todos (ou, pelo menos, com quem estiver mais próximo), a tal “nova visão de mundo”, proporcionando assim um crescimento de todos, ou daqueles que se livram das amarras e acreditam no novo. Ou que aquilo que sempre acreditaram ser a mais absoluta verdade não passava de sombras numa parede escura de uma caverna fria e úmida, porém confortável (notem bem, “confortável”), já que não conheciam outra realidade, mesmo.

Como podemos saber se estamos numa boa situação se não conhecemos outras realidades e experiências?

O mito da caverna conta a história de pessoas que viviam no interior de uma caverna, desde suas infâncias, e de lá nunca saiam.

As pessoas, acorrentadas, só conheciam o mundo externo por meio de sombras que eram projetadas no interior da caverna, ou seja, a visão do mundo externo era uma visão totalmente distorcida e limitada, pois se resumia as sombras diversas.

Imagine: um pequeno rato tomava as dimensões de um terrível monstro, os homens pareciam gigantes, tudo muito diferente e aterrador.

Um dos homens resolveu sair da caverna. Construiu um artefato rudimentar, conseguiu quebrar as correntes, subiu à superfície e vislumbrou a realidade.

Após ter visualizado e vivenciado um pouco do “novo” mundo e ter tido a certeza que a realidade era, de fato, simples, voltou à caverna e convidou todos a subirem, na alegoria perfeita da função do filósofo: mostrar a verdade, clarear as sombras.

A TV Digital (ou não)

A vida, interpretada pelas sombras, traduzia uma realidade diferente da verdade.

Na TV (que não pretende salvar o mundo; na melhor das hipóteses, salvará a verba do cliente), existem diversas ferramentas e meios para se comunicar conceitos, normalmente de forma visual. A utilização de diversas técnicas diferenciadas torna a televisão sofisticada, atual, moderna, “up”.

Mas a vida segue lá fora.

Ao expressar ou recriar, seja qual for o meio, um estilo de vida diferente da maioria, ao “agregar valor” a um produto qualquer por meio de recursos visuais bem desenvolvidos, há sempre a tendência de tirar o ser humano de seu meio real e leva-lo para outra realidade.

No final das contas, estaremos cercados de sombras, expostos em realidades estranhas às nossas, fornecendo visões deturpadas de vida para muitos, vendendo a idéia final do conceito superior, defendido como a verdade absoluta dos praticantes da profissão.

Sendo meramente estético, sem conceitos, ou cheio de significados, a televisão, em qualquer um de seus desdobramentos, é a “ferramenta das sombras”, traduzindo regras gerais para todos, implantando conceitos de belo e feio, de moderno e ultrapassado, de funcional e inútil.

A televisão digital é o aperfeiçoamento das sombras. Agora, os acorrentados, na frente dela, terão acesso ao maravilhoso mundo das “sombras interativas”, podendo mandar mensagens, interagir, decidir horários para a apresentação do “grupo de sombras” favorito, que tal adquirir aquela moto-sombra fantástica? E sem sair da caverna! Parcelado no cartão! É bem verdade que você nem vai usar a moto dentro de onde está, mas, e daí? O importante é consumir!

Conclusão

Há o amor, também há o ódio, cada ação provoca uma reação normalmente contrária, muitas vezes em cadeia.

A televisão digital pode ser utilizada para melhorar a vida de todos, apresentando propostas inovadoras de programação, estimulando o pensamento crítico, facilitando o acesso para cultura e informação à todos. Mas, provavelmente, nada vai mudar.

Se, na concepção original, o mito da caverna pode ser traduzido no dilema de muitos que não conhecem a verdade, a televisão pode, na mesma proporção, disseminar sombras eternas, ou, quem sabe, lançar luzes sobre as mesmas.