MARIA, MULHER, MÃE, PÁTRIA E 180 MILHÕES DE FILHOS | Até 19 de Dezembro



Amada, mais conhecida como mulher e também chamada de Maria.

Trata-se da narrativa de uma mulher que teve cento e oitenta milhões de filhos. Dona de várias faces, ora ela é Maria, uma mulher comum que sente prazer/desprazer na hora do ato sexual e da fecundação de seus filhos; ora ela é Amada, uma pátria-mãe que se prostitui facilmente quando se depara com recursos oferecidos por estrangeiros para amenizar as desgraças de seus filhos.

Com dramaturgia e direção de Evill Rebouças, diretor premiado pelo APCA duas vezes, “Amada…” é o décimo espetáculo da Cia. Artehúmus, que em 2007 comemora vinte anos de atividade, em outubro de 2007.

Até 19 de dezembro.

Centro Cultural São Paulo – Espaço Cênico Ademar Guerra

Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso – Telefone: 11 – 3383-3400
Dias e Horários do espetáculo: Sextas, 21h, Domingos, 20h
Valor do ingresso: R$15,00 – inteira, R$ 7,50 meia (idosos e estudantes)
Duração: 120 minutos
Lotação: 80 lugares

Dia 28 de Outubro, domingo, este espetáculo terá o ingresso a preço popular: R$ 1,90.

Por Márcia Marques, do Canal Aberto.

Para saber mais sobre a Companhia Teatral, direção e produção da peça, clique aqui >>>

Evill Rebouças é ator, dramaturgo, diretor e arte-educador; é graduado em artes cênicas pela UNESP – Universidade Estadual Paulista, onde também pesquisou A dramaturgia e a encenação no espaço não-convencional, objeto de seu mestrado. Sua formação dramatúrgica teve início no CPT – Centro de Pesquisa Teatral – com Luiz Alberto de Abreu, sob a supervisão de Antunes Filho. Posteriormente ingressou no SEMDA – Seminário de Dramaturgia do Arena sob a supervisão de Chico de Assis, durante cinco anos. Sua formação em direção teatral deu-se com Antônio Araújo por meio da Escola Livre de Teatro de Santo André. Como encenador dirigiu Essa propriedade está condenada, de Tennessee Williams, Godspel e Veja, Istoé Contigo, Amiga, ambas de Manuel Filho; Trilogia das grávidas, A paixão de um homem, Um Qorpo Santo… mas nem tanto, todas de sua autoria. Como ator, trabalhou sob a direção de Antunes Filho em Xica da Silva; Ulysses Cruz em Macbeth; Chico de Assis em A Volta de Serafim Ponte Grande de Oswald de Andrade; José Renato em Turandot de Brecht; Roberto Lage em Brasil 500 – uma pop ópera de Millor Fernandes; Cássio Scapin em A farsa do advogado Pathelin; Vladimir Capella em Panos & lendas; Ricardo Karman em O santo e a porca, entre outros. Por esse espetáculo recebeu o Prêmio APCA – Melhor Espetáculo Jovem – 2002, e Prêmio Coca-Cola na categoria de Melhor Ator. Como dramaturgo, pelo texto de teatro infantil Teresinha e Gabriela – uma na rua e a outra na janela foi indicado ao Prêmio Coca-Cola e recebeu pelo mesmo texto o Prêmio APCA 2006.

A Companhia

Desde a sua formação no ABC paulista, a companhia desenvolve pesquisa que prioriza, sobretudo, a experimentação dramatúrgica. Assim, grande parte das montagens da companhia foi realizada com dramaturgia própria, assinada por Evill Rebouças: Explode seiva bruta (1987), No reino de Carícias (1990), Pingo pingado, papel pintado (1992), Dandara, o marinheiro (1995) e ainda as adaptações das peças de Qorpo Santo que resultaram nos espetáculos Um Qorpo Santo… mas nem tanto (1996) e As relações do Qorpo (2005).

Em 2000, alguns dos integrantes da companhia freqüentaram aulas na ELT – Escola Livre de Teatro de Santo André. Desse contato com Antonio Araújo e Luis Alberto de Abreu, passaram a investigar proposições dramatúrgicas que dialogassem com a carga histórica de determinados espaços públicos. Surgiu Evangelho para lei-gos – espetáculo apresentado em 2004 no banheiro público do Viaduto do Chá e vencedor do Prêmio VAI de Iniciativas Culturais da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Em 2005 a companhia é convidada a encenar parte da obra de Qorpo Santo na lanchonete e no elevador do SESC Consolação por meio do Projeto SESC Latinidades – Reflexos de Cena em Qorpo Santo. Nesse mesmo ano, foi selecionada para apresentar o espetáculo Campo de Trigo dentro da capela Nossa Senhora de Lourdes no Festival Internacional do Porto (Portugal).

Ainda em 2005, a companhia apresentou parte do seu repertório no Teatro Eugênio Kusnet por meio do Projeto de Ocupação do Arena 3 x 1: Um por (Todos)² por Hum!!!

Em 2006 elaborou o projeto Ateliê Compartilhado e recebe subsídios da Lei de Fomento para a montagem e pesquisa de Amada, mais conhecida como mulher e também chamada de Maria.

Dramaturgia: Evill Rebouças
Atores Compositores da Cena: Daniel Ortega/Edu Silva /Leonardo Mussi /Roberta Ninin /Solange Moreno
Figurinos e Adereços Cênicos As Mariposas: Maria Zuquim e Juliana Napolitano
Criação de Luz e de Equipamentos: Edu Silva
Montagem de Luz Edu Silva e Nilson Castor
Operador de luz Nilson Castor
Fotos Alícia Peres
Assessoria de Imprensa Canal Aberto
Estágio em Direção Queila Rodrigues
Consultoria Artística Marcio Aurelio
Encenação Evill Rebouças
Produção Executiva
Ila Girotto (São Jorge Produções Artísticas)
Realização Cia. Artehúmus de Teatro

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4 Comments

  1. Maria, nem todas amadas, nem todas mulheres

    São três sacos: um é de flores; outro de água; e por fim o de moeda, de uma moeda! Todos são Maria, nem todas amadas, nem todas mulheres.
    Os líquidos que fluem vida também fluem morte: a água suja é água de beber, é sangue de comer, é refrigerante de cola, Coca-Cola, de gozar. A ambigüidade é a faca de ‘dois gumes’ que lança a dúvida e “à dúvida”: motor poético da potência e da pregnância dos símbolos trabalhados. Símbolos psicanalíticos muito além da identidade e de freudianismos.
    No discurso mascado de cada dia está lá a repetição do mais velho do velho, trajado de novo, em novos carnavais com novas fantasias; mais uma página de uma história que já foi escrita e que a moeda (revestida de R$ 1,00 do último saco já pende para coroa… uma moeda de dois lados iguais. E o que nos chega aos ouvidos e aos olhos e ao corpo (que corpo?) é espetáculo que legitima a vida que já não existe… e, na capa das aparências que nos recitam o script há tempos plantada no estupro do destino. E por trás há crianças-atores que com corpos e dedos brincam de fogo, ora distantes e saborosamente ácidos, ora viscerais e perversos! Ora como Brecht, ora como Artaud.
    A eficácia de símbolos (…) ganha força nas imagens do que não vemos, contudo, mais do que nunca imaginamos: o sangue que não se vê, mas se sabe como é, pois já vimos esse filme; a terra seca que, molhada com o sangue que bem sabemos, rejunta as paredes do espetáculo que nos cerca. Mas o que podemos imaginar depois de Fofão, paquitas e Xuxa Meneguel? A resposta está na esperança de um deus pedófilo que cuidará de mim. Mas essa “mão que balança o berço” não está aí nas lojas, nem nos programas infantis, nem na comunicação de massa, nem na esperança de massa… Aí “Amada… chamada de Maria” não sabe que esse colonizador não é o outro. O fantástico está colado à realidade: o colonizador português que traz em seu i-pod “seu” e “nosso” hino e desse pequeno aparelho que parece um detonador de bomba saem fiozinhos que levam a duas caixinhas de som de computador que emanam precariamente um som de glória e de massacre; na máquina fotográfica de brinquedo (símbolo potencializado do fetiche do objeto da sociedade de consumo, muito além da “necessidade”); nas bonequinhas e bonequinhos de plástico; na saia de Iemanjá; no filho que foi morar pra sempre na floresta (entidade de uma divindade panteísta); e assim se seguem em fábulas (as referências metanarrativas, as relações familiares, do “pertencimento”), alegorias (da vida, do amor, do sexo, da morte, da fertilidade) e arquétipos (da mãe generosa, do estrangeiro, etc).
    Outro fator muito bem colocado é a transposição do personagem para o público: quando os personagens fitam nos olhos as pessoas, enquanto dialoga com outro personagem, fisicamente localizado noutro lugar no espaço cênico (que nos engole), fitando outro espectador, de modo que a respostas, as perguntas e provocações são impelidas a esse espectador, colocando-o numa situação de empatia, mas não necessariamente de identificação, fazendo-nos (eu) apropriar dessas falas e pensamentos. Isso se torna uma estratégia sutil de colocar o espectador como um ser atuante e também responsável por toda a problemática apresentada. Essa espécie de “triangulação” é um bom exemplo da persistência do teatro como meio contemporâneo de arte.
    Sentir e pensar, pensar e sentir. Muitas outras coisas poderiam ser ditas sobre o que pensei após assistir “Amada”: a luz, o som, o figurino… mas quero registrar principalmente o forte sentimento de pertencer a tudo isso. E um ciclo se fecha e o espetáculo acaba deixando comigo imagens de perverso sadismo, de deliciosas crueldades, de mitos da esperança, imagens sociais da vida e da utopia, de pequenos sonhos, de uma vontade injustificada de viver e fragmentos metonímicos de uma história, cheias de tapas, esforços e comodismos e uma sensação fatalista que minha ‘pulsão de vida’ tentará reverter… esperamos.

    Danilo Bezerra – Artista plástico.

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