QUAL A SUA MOTIVAÇÃO?

Confesso que minha fé nas pessoas está diminuindo. Logo eu, que sempre acreditei que o ser humano é uma forma de vida capaz de se reinventar, de buscar soluções práticas e eficientes na tentativa de melhorar, individual e coletivamente.

O que eu observo (e olha que eu observo) é uma constante busca por atenção, mesmo que isso seja momentâneo. Vejo pessoas que se digladiam por motivos infundados, por situações, no mínimo, resolvíveis com bom senso, educação e gentileza. Claro, você, na condição de um ser único, pessoal e intransferível, construiu a sua personalidade e a sua razão de ser. E isso é o que te torna especial no seu meio social. Claro que, se observarmos exatamente o ciclo social de cada um, enxergaremos que eles são compostos de ideias, pensamentos e razões mútuas, afinal, nos afinamos com quem tem pelo menos uma ou duas formas de ver nossa existência em comum, e isso e o que nos aproxima do outro.

De uns tempos para cá, me assusta ver que na defesa de suas ideias ou do que muitos pensam ser uma ideia, a prática da intolerância, a grosseria, a falta de respeito é, muitas vezes, a tônica dos muitos assuntos que todos nós trazemos ao nosso dia a dia. Mas me diga de verdade: o quão diferente seria se ao invés de cada ser pensante se armar de argumentos requentados ou extraídos de publicações tendenciosas, pudesse, ele mesmo, refazer sua opinião sobre tal assunto? E melhor: se buscasse, absorver opiniões equivalentes ou mesmo contrárias, mas que fossem todas iluminadas na ótica pessoal? Não poderia acontecer de uma opinião se revelar muito mais radical, baseada na sua realidade, ou mesmo, se abrandar, já que a aplicação de uma opinião diferente viesse a transfigurar e, quem sabe, acrescentar alguma cognição na sua forma de pensar?

Me dá medo ver que as pessoas defendem bandeiras intimamente ligadas ao que elas não entendem ou que preferem não ver. Entendo claramente as defesas das áreas dos que, por si só, não conseguem se defender, mas não compreendo como alguém que se disserta publicamente uma posição, não seja capaz de enxergar que uma outra é tão importante ou tão relevante quando a sua própria.

Enquanto nós, a escumalha que serve de base (ou piso, se preferir) a quem pretende perpetuar o coronelado eleito (nem sempre) nos digladiamos, embiocados no anonimato ou na segurança de nossos lares. Os mesmos animais continuam sofrendo de maus-tratos absurdos, os mesmos inocentes, continuam a ser privados de seu direito primordial à liberdade, as mesmas mulheres continuam sendo repelidas da condição de cidadã e ser humano e, também, os mesmos meninos passam fome, aliás, fome essa que assola gerações dos mesmos povos há decênios, se não milênios, num parecer muito favorável ao esculacho e que de forma já é quase uma capitania hereditária concedida ao povo, por quem devia advogar em defesa dos seus iguais.

Delegar pensamentos em público talvez seja o tão esperado mal do século, uma vez que, quem tem bons acessos às informações, aos bons meios de divulgação e aos sinceros e devotados meios de usar as deliberações e diligências em favor único de meia dúzia de bandoleiros que ainda por este século, tentarão carregar em seus bolsos a nota fiscal referente a sua própria vida.

Despertar e quem sabe perceber que o mal se abate sobre a pele de quem o chicote gorjeia antes de açoitar, é necessário, porque a futuridade da importância das suas opiniões talvez seja percebida apenas por quem argumentou o mesmo que você, fazendo uso de palavras diferentes.


Texto de JP Carvalho 

3º CICLO: PENSAMENTO ALEMÃO NO SÉCULO XX

O Goethe-Institut São Paulo promove o 3º Ciclo de palestras sobre o Pensamento Alemão no Século XX a partir da próxima segunda-feira, às 19h. O tema da 1ª palestra é instigante como toda a programação: Franz Kafka e o mundo sem saída”, com Modesto Carone.

Em São Paulo, poucos eventos acontecem às segundas-feiras. Se você gosta de boas discussões, literatura, filosofia, e tem disponibilidade na agenda para esse dia, não perca! Se tiver conta no Facebook, pode confirmar sua presença no evento aqui.

O Quê? Quando?

(Segundas-feiras, às 19h.)

19 de Setembro de 2011
FRANZ KAFKA E O MUNDO SEM SAÍDA
Modesto Carone

26 de Setembro de 2011
EXPRESSIONISMO ALEMÃO E OS NOVOS PARADIGMAS DA REPRESENTAÇÃO 
Claudia Valladão de Mattos

3 de Outubro de 2011*
BAUHAUS: VANGUARDA E CRISE DA METRÓPOLE
Luiz Recamán

KARLHEINZ STOCKHAUSEN: O FURACAO MUSICAL
Julio Medaglia 

10 de Outubro de 2011
ARNOLD SCHÖNBERG E A HEGEMONIA DO PENSADO
Flo Menezes

17 de Outubro de 2011
BERTOLT BRECHT: ARTE, POLÍTICA E REVOLUÇÃO
Sérgio de Carvalho 

24 de Outubro de 2011*
KARLHEINZ STOCKHAUSEN: O FURACAO MUSICAL
Julio Medaglia 

BAUHAUS: VANGUARDA E CRISE DA METRÓPOLE
Luiz Recamán

31 de Outubro de 2011
THOMAS MANN E O FAUSTO ARTISTA
Marcelo Backes 

7 de Novembro de 2011
JOSEPH BEUYS E O ABANDONO À ARTE
Fábio Cypriano 

21 de Novembro de 2011
 O CINEMA ALEMÃO E A EXPERIÊNCIA DO CHOQUE
Rubens Machado Jr. 

28 de Novembro de 2011
PINA BAUSCH: UM VENTO QUE MUDOU A PAISAGEM
Helena Katz 

Quanto?

Grátis.

Onde?

Goethe-Institut São Paulo (Curta a página no Facebook!)
Rua Lisboa, 974 – Pinheiros – São Paulo – SP

Atualização em 03/10/2011:

* Houve mudança na programação. Bauhaus seria no dia 03/10/2011 e O furacão musical seria no dia 24. 

Por Darlene Carvalho

ÚLTIMO CAFÉ FILOSÓFICO DE 2008 EM SÃO PAULO

Nesta quarta-feira, 26 de Novembro de 2008, não haverá gravação do programa Café Filosófico CPFL para a TV Cultura. Mas, prepare-se! Na próxima quarta, 03 de Dezembro, a curadora das duas temáticas (masculinidade e feminilidade) que renderam discussão nas palestras gratuitas estará presente no Tom Jazz para falar a todos sobre “O que resta da (mínima) diferença?”. Maria Rita Kehl é psicanalista e doutora em psicanálise pela PUC/SP.

O QUE RESTA DA (MÍNIMA) DIFERENÇA?

Segundo Maria Rita, as mulheres não param quietas: ou tentam tirar proveito da masculinidade que está na origem da condição feminina (Freud não escreveu que toda menina, no começo da vida, é um arremedo de homenzinho?) ou tentam se valer da castração para ir além dos limites, numa atitude característica dos que não têm nada a perder… “a não ser os grilhões”. De um modo ou de outro, a feminilidade na era pós feminista está sempre associada a certa desmesura que desorienta os homens e produz sintomas tanto no campo do amor quanto no do erotismo. Que mulher ainda consentiria em aplacar a insegurança de seu homem com a tradicional mentira – “eu sou apenas uma mulher”?

Dia 3, das 20h30 às 22h30, no bar Tom Jazz.
Avenida Angélica, 2331 – Higienópolis – São Paulo/SP.
Ingresso gratuito: retirar com uma hora de antecedência do início do evento.
Capacidade da casa: 180 pessoas.
Mais informações no tel. (11) 3255-0084/3255-3635 ou no site.

— O Café Filosófico volta suas atividades no próximo ano!

Por Darlene Carvalho
Colaboração de Maristela Garmes

FIM DE ANO COM CAFÉ FILOSÓFICO

FEMINILIDADE ERA PÓS-FEMINISTA é o tema para as discussões que serão promovidas durante o mês de Novembro (exceto dia 26) e início de Dezembro no Café Filosófico CPFL que é transmitido pela TV Cultura. A curadoria continua sendo de Maria Rita Kehl e o assunto a ser explorado foi sugerido pelo público que acompanhou o ciclo de conferências sobre masculinidade no mês passado.

”Este fato revela, mais uma vez, a interdependência entre os conceitos de masculino e do feminino. Não há como analisar um deles sem entrar, necessariamente, na discussão sobre o outro“. (Maria Rita Kehl)

Maria Rita Kehl. Fotografia de Damião.

Maria Rita Kehl. Fotografia de Damião.

PROGRAMAÇÃO

05/11

Maio de 68 e as mulheres

Palestrante: Maria Lygia Quartim de Moraes, historiadora.

12/11

A função paterna e a feminilidade

Palestrante: Paulo Schiller, psicanalista.

19/11

Mulheres no sex-shop: novas modalidades de erotismo feminino.

Palestrante: Maria Filomena Gregori, antropóloga.

03/12

O que resta da (mínima) diferença?

Palestrante: Maria Rita Kehl, psicanalista.

Se ficou interessado, é muito simples participar! As gravações do Café Filosófico ocorrem todas as quartas-feiras lá no Tom Jazz, das 20h30 às 22h30, gratuitamente. Basta retirar seu ingresso uma hora antes do início do evento. Cabem apenas 180 pessoas na casa.

Tom Jazz: Avenida Angélica, 2331 – Higienópolis – São Paulo/SP
Telefones: (11) 3255-0084/3255-3635.

Por Darlene Carvalho

Colaboração de Maristela Garmes

WEB 2.0, ANDREW KEEN E A DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Lembro-me de ter lido a entrevista de Andrew Keen numa revista semanal brasileira. Suas provocações e teorias, em princípio, eram de alguém que tenta defender uma tese contrária referente a algo considerado “standard” para todos, ganhando, assim, algumas migalhas de fama e o prazer de não ser parte da maioria.

A tese defendida por Andrew Keen, diz respeito ao conceito colaborativo da web 2.0, que permite a participação efetiva de todos, colaborando mutuamente. Na concepção de Andrew Keen, este aspecto nos levará ao fim da cultura como conhecemos, trazendo à tona informações ruins de pessoas mal preparadas para escrever e refletir sobre os temas atuais.

Andrew Keen, ao que parece, defende a idéia de que precisamos de pessoas preparadas para expressarem nossas opiniões, anseios, necessidades. Segundo ele, não temos preparo intelectual suficiente para nos expressarmos, somos meramente sujeitos sem conteúdo, sem ter o que dizer, passivamente devemos esperar que os jornalistas altamente especializados, bem como os experts nas mais diversas áreas do conhecimento, nos digam o que fazer, pensar, sentir e como agir.

Isso me fez lembrar daquele grupo de cientistas que, recentemente, anunciou que o aquecimento global é um grande exagero, que não existe. Pensei na imagem de Bush radiante, era, enfim, um grande trunfo contra aquela “Verdade Inconveniente“. Imaginei, também, a mídia tradicional vibrando de emoção com o livro “The Cult of the Amateur“, enfim os blogs tomariam um soco no estômago!

A (r)evolução é urgente, necessária e está em pleno curso. Tentar freá-la é impossível, os modelos tradicionais de produção e disseminação de informação e cultura caíram por terra, o conteúdo colaborativo é um fato, necessita de ajustes e melhorias, porém sua solidificação é inevitável, a idéia do “povo falando por si” é forte demais para ser ignorada.

Houve um tempo em que o povo realmente precisava de pessoas intelectualmente preparadas para protestar, mostrar sua realidade. Os pequenos-burgueses, com seus violões, iam à favela, ao morro, chegavam na periferia e, arrebatados de uma grande dó, cantavam essa realidade em suas bossas, em seus sambas sofisticados, salvando (ou tentando salvar) o povo da miséria, da falta de expectativas.
Depois de algum tempo, o povo descobriu que poderia se manifestar por si próprio, seja por meio dos sambas populares, dos acordes furiosos do punk rock ou da batida forte do rap. Descobriu que era o mais adequado para expressar suas opiniões sobre situações reais, já que vivenciava aquilo tudo no seu dia-a-dia.

Traçando um paralelo, acredito que a web 2.0 traz a mesma possibilidade para vários e distintos públicos, seja qual for a área de conhecimento. Você pode criar um blog sobre um tema específico, sobre uma visão de vida, sobre opiniões e posicionamentos. Não precisa esperar que algum jornal te descubra, que algum programa te entreviste, ou que a tv te apresente como o mais novo talento.

Como em tudo na vida, é necessário separar o joio do trigo, com certeza nem tudo o que está em blogs e gerenciadores de notícias deve ser levado em consideração, sempre haverá a real necessidade de se comparar dois pontos de vista diferentes, o “mainstream” (grande mídia) e o “underground” (mídia independente, blogosfera), utilizando o ceticismo saudável, na busca pela informação real ou a opinião mais relevante.

PENSAMENTOS INSTIGANTES – FILOSOFIA E ARTE | 30 de Outubro

Pitágoras e o Instrumentista

Conhecido como o pai da filosofia, ou pelo menos assim foi chamado, Pitágoras soube ver com mais clareza o problema do conhecimento dando-lhe forma e nome diversos. “Não sou um sábio, mas amigo da sabedoria”, ou seja, um filósofo. Apresentado pela professora de filosofia Márcia Tiburi, a história do autor transcende ao tempo, onde, a idéia dos números como principio e essência das coisas, antevê a perfeição da razão humana. Fazendo o contraponto, o convidado Yamandu Costa, um dos maiores fenômenos da música instrumental brasileira, contextualiza e debate suas vertentes artísticas e as possibilidades em relativizar música – som e criação artística – com os números. E extrair do seu instrumento, a forma, movimento, ritmo e harmonia.

Cinema CCBB (70 lugares)
30 de outubro – 19h30
Entrada franca – com retirada de senha meia hora antes do evento.

MARIA ANTÔNIA ANALISA GEORGE BATAILLE | 6 a 27 de Novembro

Uma visão geral do pensamento de Georges Bataille com base na noção de “baixo materialismo”, que constitui um dos conceitos fundamentais de sua obra, destacando-se a novela História do Olho e os ensaios publicados na revista Acéphale. Entre outros aspectos, o curso aborda em detalhe o estatuto da figura humana nos escritos de Bataille, um pensador que interroga as extremidades do corpo para reinventar o projeto nietzschiano de “pensar com os pés”.

Eliane Robert Moraes é professora de Estética e Literatura na PUC-SP e no Centro Universitário Senac-SP. Autora de O Corpo Impossível (Iluminuras/Fapesp, 2002) e Lições de Sade (Iluminuras, 2006), traduziu para o português História do Olho, de Georges Bataille (Cosac & Naify, 2003).

Programa

06 de novembro
O corpo humano: “um tubo de dois orifícios”.

13 de novembro
O sacrifício da cabeça e a possibilidade de “pensar com os pés”.

27 de novembro
O olho como matéria: entre o alto e o baixo corporal.

George Bataille e o baixo materialismo
com Eliane Robert Moraes
6, 13 e 27 de novembro
terças-feiras, 20 às 22h30
R$ 150,00 (descontos especiais)

Inscrições
Centro Universitário Maria Antonia – 3° andar – sala de cursos
Segunda a sexta das 10h às 12h e 13h às 17h

Informações
3255-7182 – ramal 32 e 33 – cursosma@usp.br